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Terapia da Escrita

por Luís Marcelino, em 29.04.22

Tenho ouvido dizer que se escreve como forma de terapia, como forma de fugir à realidade. É um passatempo como os outros, dizem.

Escrita como terapia? Não. Escrita não é terapia, não é escapatória da realidade. Escrever é meter o dedo na ferida, escarafunchar e arrancar a crosta. Escrever é sangrar. Sangrar através das palavras. Escrever é um choro incessante, cada palavra uma lágrima. 

Não acredito que se escreva feliz. Estou feliz, ponto final. É preciso chagas, quanto maiores melhor o texto. E dedos, capazes de as escarafunchar, de as fazer sangrar, de provocar a lágrima. 

Escrever é sofrer, por vezes aliviar. É lamentar, choramingar, deprimir. É tornar o tormento real, palpável, possível de mandar ao lixo. Nem por isso ele se dissipa, fica ali, a marinar no miolo, a pedir atenção. A pedir dó e pena. O texto é isso. Um pedido escrito de atenção. Um lamento do escritor. “Vejam como sofro”, é o que diz. 

Escrever é deitar cá para fora, falar para quem não ouve, dizer a quem não quer saber. Que tipo de terapia é essa?

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2 comentários

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De Mónica a 01.10.2022 às 11:54

A escrita é algo muito íntimo!
É tudo isso que refere, mas a escrita não deixa de inspirar quem lê!
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De Bete do Intercambiando a 02.10.2022 às 02:41

É a terapia do alívio!.. Enquanto não se escreve, fica-se escravo das horas, o sono não vem, é um desassossego, uma respiração curta que não chega onde precisa. Já me levantei no meio da noite para escrever. Ai que delícia!

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